Neuroplasticidade na prática

Já parou para pensar por que carregamos tantos padrões de pensamentos negativos no dia a dia?

E quantos hábitos e posturas repetidas e autossabotadoras nós sustentamos em nossa rotina?

E o quanto vivemos realmente nossas potências?

Nosso instrumento primordial, chamado cérebro, na grande maioria das vezes e em função de dores e traumas do passado, segue operando repetidamente por programas automáticos querendo pertencer, agradar, ser incluído, precisando sobreviver.

Uma repetição constante de comportamentos, hábitos, falas e pensamentos, todos iguais e sem uma possibilidade consciente de caminhar para o “novo e diferente”. Na maioria das vezes, não existe proatividade nem criatividade no dia a dia.

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Nesta busca incessante por segurança e controle, nosso cérebro vive fugindo de dores e desconfortos oriundos de sensações e emoções inevitáveis do viver, como o medo, a rejeição, a exclusão, o abandono e o desamparo. Busca o imediatismo de prazeres rápidos e descartáveis que não realmente geram a plenitude.

Desta forma, com o passar dos anos, são criados e desenvolvidos as neuroses e os transtornos de personalidade por uma inabilidade na lida com as dores e traumas. Esses sintomas adquiridos são uma forma do cérebro se adaptar a essa memória de dor apreendida no passado.

Este cérebro mais primitivo, regido pelo tronco cerebral e pelo sistema límbico, vive no mecanismo automático de fuga e luta, somente reagindo as situações externas.

Assim, surgem os mecanismos de defesa, como chamamos na psicologia, para lidar com os desconfortos e dores do passado:

Orgulho em excesso
Egoísmo dominante
Racionalização
Negação
Evitação
Repressão
Anulação
Procrastinação
Projeção
Regressão

Os caminhos neurais, então, se enrijecem em padrões repetitivos e limitantes com este “mindset” condicionado, focado somente nestes conhecidos mecanismos de defesa.

Evolução das sinapses com a consciência

Como terapeuta integrativo e pesquisador em desenvolvimento humano, acredito firmemente que o despertar da consciência é um caminho extraordinário para moldar nossa realidade e a qualidade de vida de maneira excepcional.

À medida que vamos evoluindo nossa consciência, aprendemos recursos e estruturas internas para lidar com temas para os quais não tínhamos competências, e que foram estruturas faltantes de nossa personalidade.

A prática da neuroplasticidade entra como ferramenta fundamental para despertar novos caminhos de vida e realização pessoal.

A partir do momento que são criadas novas microrredes neurais, o próprio mecanismo de solução automatizada que nosso cérebro possui, se desidentifica da dor que houve no passado e traz uma ampliação de consciência ao momento presente, propiciando uma vida com mais sentido e propósito.

Desenvolvimento do lobo frontal

O lobo frontal é a maior das quatro principais regiões (lobos) do cérebro humano. Ele fica localizado na parte da frente da cabeça, logo atrás da testa, e é considerado o grande “centro de comando” ou “gerente executivo” do cérebro.

Ele é responsável por funções cognitivas superiores altamente complexas que diferenciam o ser humano de outros animais. Suas principais funções são: planejamento de metas, tomada de decisões, resolução de problemas complexos e raciocínio lógico. Também é responsável pela regulação do julgamento, da autocrítica e do controle inibitório (a capacidade de filtrar o que dizemos ou fazemos socialmente).

Anteriormente, acreditava-se que o cérebro era estático. Porém, pesquisas modernas demonstraram o contrário: podemos, de fato, moldar nosso cérebro através de novos pensamentos, falas, expressões, emoções, experiências sensoriais, vivenciais e relacionais.

Através da neuroplasticidade é possível dissolver crenças limitantes, dores recorrentes, hábitos compulsivos, relacionamentos que se repetem e traumas profundos. Desta forma, é possível aprender novas habilidades, permitindo que a vida em todos os âmbitos traga mais sentido e propósito.

A neuroplasticidade vem com o propósito de desafiar crenças limitantes e substituí-las por padrões de pensamentos mais conscientes.

O indivíduo tem mais liberdade de escolhas e ações, criando uma vida mais alinhada com seus propósitos essenciais.

Neuroplasticidade – mente resiliente

Muitas novidades continuam a emergir com pesquisas científicas mostrando que, se bem trabalhada, a neuroplasticidade pode alterar drasticamente o curso da vida de um indivíduo com melhoras significativas nas seguintes áreas:

*Saúde física – vitalidade, vivacidade, regeneração celular, longevidade, sistema imunológico, recuperação de lesões cerebrais e lesões físicas.

*Saúde mental – cognição, ansiedade, angústia, neuroses, psicoses, depressão, qualidade dos pensamentos, transtorno do estresse pós-traumático.

*Saúde emocional – empatia, compaixão, conexão maior com o sentir, desenvolvimento de relações mais profundas e saudáveis.

*Saúde Social – sentido de conexão, relacionamentos mais profundos, parcerias mais consistentes, desenvolvimento de propósitos e afinidades em comum.

Aprender é criar memórias a longo prazo- neuroplasticidade.

Novos caminhos neurais

A todo instante temos que entrar em ação: viver a vida, seguir o fluxo, criar uma rotina e entrar no ritmo dessa impermanência do dia a dia. Porém, a maioria de nossas escolhas está no automatismo, reverberando sempre o inconsciente, identificados com fantasias, projeções e ilusões.

Imersos na rotina diária, na maioria de nós predominam lampejos de insegurança, medos e desconfortos aprendidos em nossa história passada que, como consequência, desenvolvem-se sintomas cada vez mais acentuados na história presente.

Por exemplo: a partir de uma crença limitante como o medo da falta – oriunda de pensamentos rígidos e permanentes – a mente fica ansiosa, o corpo fica tenso e rígido, as emoções angustiam, o cortisol se eleva, as somatizações se ampliam e tendemos a apresentar, no decorrer do tempo, todo o tipo de doenças.

Fundamental então é a prática constante e determinada de novos caminhos neurais através da neuroplasticidade, que caminha em paralelo com o propósito de evolução da consciência.

As ferramentas estruturais necessárias para uma evolução real são:

Humildade no aprendizado

Comprometimento com o propósito

Determinação para uma prática contínua

Autorresponsabilidade nas ações propostas

Resiliência e adaptabilidade para lidar com o desconhecido e desconfortável

Disciplina e organização para manter um ritmo frequente

Percepção dos limites tóxicos internos e externos

 

Neuroplasticidade na prática

A neuroplasticidade é impulsionada por estímulos específicos, atenção focada e repetição. Quando o indivíduo aprende algo novo ou muda um padrão, os neurônios começam a disparar juntos. O segredo prático para transformar isso em alterações físicas permanentes no cérebro resume-se a três pilares: Desafio, Atenção e Descanso.

Para reconfigurar hábitos e padrões comportamentais automatizados através da neuroplasticidade, o primeiro passo é entender uma regra biológica fundamental:
o cérebro prefere economizar energia.

Para o cérebro criar novas rotas sinápticas, o estímulo precisa gerar um leve grau de frustração, stress ou esforço. Atividades fáceis ativam redes já consolidadas; é a zona de desconforto adaptativo que força a fiação nova.

Quando você tenta mudar um comportamento, não está “apagando” a rota antiga, mas sim construindo um desvio pavimentado ao lado dela até que a estrada antiga caia em desuso e a nova seja o caminho principal.

Como parar os hábitos tóxicos?

Abaixo, está o processo prático de remapeamento comportamental baseado em neurociência.

O Ciclo da Reconfiguração Comportamental:

Desconstruindo o “Loop” da Rotina

Para economizar energia metabólica, o cérebro automatiza sequências de ações frequentes transformando-as em hábitos condicionados.

Hábitos operam no piloto automático através de três fases:
Gatilho – Rotina – Recompensa.

1. Gatilho (Pista): É o estímulo inicial que avisa o cérebro para entrar no modo automático e indica qual hábito usar.

2. Rotina (Ação): O comportamento em si (físico, mental ou emocional) que é executado automaticamente sem consciência.

3. Recompensa: O benefício ou sensação de alívio/satisfação obtido ao final, que reforça o circuito no cérebro para que o hábito seja repetido no futuro.

Exercício de auto observação diária:

Identifique o Gatilho: Descubra o que dispara o comportamento (um horário, um estado emocional, um local ou uma pessoa).

Traga para o Córtex Pré-Frontal: Você precisa pausar por 5 a 20 segundos quando o gatilho acontecer. Respire fundo algumas vezes – inspire e expire lentamente e prolongadamente e nomeie o que está sentindo. Traga consciência para o estado interno. Essa interrupção força a atenção a migrar para o córtex pré-frontal, abrindo a janela de plasticidade.

A Técnica da “Substituição da Rotina”

Tentar simplesmente parar um hábito cria um vácuo neural que gera ansiedade. O cérebro precisa da recompensa (dopamina, alívio de estresse, etc.). O primeiro passo
é observar o padra: como funciona o gatilho e qual o tipo de recompensa. A troca consciente da rotina(ação) é fundamental.

Exemplo: Se o estresse (gatilho) faz você buscar um doce (rotina) para obter alívio rápido- prazer momentâneo (recompensa), substitua durante 3 minutos por algumas outras atividades como: respirações profundas, escovar os dentes, um banho gelado, uma caminhada rápida (exemplos de novas rotinas que também reduzem o cortisol e libera dopamina).

Engajar a “Fricção Neural” e a Dopamina

A plasticidade exige esforço consciente no início, o que o cérebro interpreta como desconforto. Você pode usar a química cerebral a seu favor.

Exemplos:

Aumente a fricção para o hábito antigo
Por exemplo, quer reduzir o uso do celular, se comprometa com seu querer e coloque-o em outro cômodo. Adicionar pequenos obstáculos físicos desacelera o impulso automático.

Reduza a fricção para o novo hábito
Se quer passar a fazer exercícios físicos, deixe tudo pronto com antecedência (ex.: roupas de treino visíveis, garrafa de água na mesa).

Celebre as microvitórias
Logo após realizar o novo comportamento, faça um reconhecimento mental positivo (”consegui”, “boa”…). Isso libera uma pequena descarga de dopamina, sinalizando ao cérebro que aquele novo circuito deve ser fortalecido.

Cada vez que o gatilho dispara e você não executa a rotina antiga, a conexão neural daquele hábito perde um pouco de sua força e o cérebro vai desenvolvendo novos caminhos neurais.

Nas primeiras 2 a 3 semanas, a resistência física, mental e emocional será maior. Superar essa fase inicial é a chave para que a nova rota comece a se tornar o novo padrão automático.

A neuroplasticidade não responde à intensidade pontual, mas à frequência da repetição. Errar um dia não destrói o novo circuito; a chave é retomar a nova rota imediatamente assim que puder.

 

Transformando padrões enraizados no dia a dia com práticas conscientes

* Autoconhecimento profundo: explore e aprofunde sua história pessoal (busque terapia) e identifique-se com limitações e condicionamentos que podem estar bloqueando seu desenvolvimento pessoal. Pergunte a si mesmo: “Quem eu realmente sou, além das influências externas? Aonde quero chegar? O que quero vibrar?”

* Escreva para Curar: A prática de escrever permite que você coloque para fora suas emoções mais profundas, liberando-as para o papel. Escrever sobre seus pensamentos, emoções, desafios e vitórias pode ser uma forma poderosa de autoexpressão e autocura, levando a um maior entendimento de si mesmo.

*Matricule-se em cursos e estudos: línguas, formações, retiros, vivências; participe de ongs, projetos sociais, beneficentes.

*Pratique arte: música, dança, teatro, cinema, pintura, poesia, fotografia, desenho.

*Expressão corporal: esportes em grupos e individuais, artes marciais, atividades em grupos sociais e culturais.

*Se relacione: tenha vida social e dinâmica.

 

Neuroplasticidade na prática das virtudes

Na Virtologia – o estudo e a sistematização das virtudes humanas para a expansão do ser e do bem-estar – a neuroplasticidade deixa de ser apenas uma teoria biológica e se torna a ferramenta de engenharia de estrutura para o ego.

Sob a ótica da Virtologia, as virtudes não são abstratas ou puramente morais. São forças operacionais de vida, frequências de consciência e padrões comportamentais funcionais que despertam habilidades e competências na vida atual.

Quando unimos esse conceito à neuroplasticidade, praticar a Virtologia significa treinar deliberadamente o cérebro para transformar uma virtude em conhecimentos, habilidades e ações que vão dar estrutura para aspectos faltantes em nossa história passada, na lida com temas específicos e doloridos que ainda reverberam no momento presente.

O inconsciente é atemporal e não entra em contradição lógica.

Na Prática:

No mínimo por 2 semanas:

Práticas diárias de afirmações conscientes através da audição, fala e escrita.
Práticas diárias em desenvolver respostas conscientes de 10 perguntas profundas sobre o tema a ser trabalhado.
Reflexões diárias sobre questões desafiadoras e sem solução imediata.
Meditação especifica para o tema.
Auto-observação e autocorreção diária em função das situações desafiadoras da vida.

Neuroplasticidade funciona como ferramenta primordial para combater pensamentos obsessivos nos relacionamentos amorosos.

Seu cérebro é como uma floresta.

Dentro dessa floresta existem trilhas.

Toda vez que você repete um pensamento, uma emoção ou um comportamento,

você fortalece uma trilha.

Quanto mais você passa por ela, mais fácil ela fica.

 

A trilha do pensamento obsessivo

Obsessão não é só stalkear.

Obsessão também é:

  • Ficar imaginando o que a pessoa está fazendo.
  • Criar cenários na cabeça.
  • Reviver conversas.
  • Esperar mensagem.
  • Checar celular repetidamente.
  • Pensar o dia inteiro na mesma pessoa.
  • Tentar decifrar o silêncio.

Mesmo sem abrir rede social, se você passa o dia ruminando,

você esta fortalecendo essa trilha.

O comportamento do outro pode até ser inadequado.

Mas a obsessão é um processo interno…

Você não controla o comportamento do outro.

Você controla quanto tempo sua mente fica presa nisso.

Se você repete o pensamento, ele fortalece a trilha.

Quando você

Aceita que não tem controle sobre o mundo externo…

Interrompe a ruminação.

Para de criar cenários.

Volta para sua vida.

Quando você
Assume pequenas responsabilidades

Você começa a abrir uma trilha nova

A trilha da liberdade.

Mas obsessão é prisão!

É escolha repetida.

E cada repetição fortalece o circuito.

 

O que acontece se você seguir os protocolos da neuroplasticidade

No começo:

Vai parecer difícil.

A ansiedade pode aumentar temporariamente.

O impulso vai insistir.

Depois:

A intensidade diminui.

O pensamento condicionado perde força.

O silêncio já não causa tanto pânico.

Com o tempo:

Você para de reagir automaticamente.

Recupera autonomia e liberdade.

Consegue avaliar com clareza se aquela relação é saudável ou não.

O objetivo dos protocolos

Não é ignorar os comportamentos tóxicos.

É fortalecer você (sua estrutura de ego) o suficiente para não depender emocionalmente da resposta do mundo externo.

Neuroplasticidade é isso:

O cérebro para de viver reações automáticas e condicionadas e entra num modo criativo e novo, o que gera um campo de infinitas possibilidades do viver.

  • Hoje, domingo dia 9/08, estamos celebrando o Dia dos Pais e fiz um vídeo especial para o site da Granja Viana sobre o que realmente importa na paternidade. Assista aqui.

Bora evoluir?!


 

Escrevo sobre consciência, autoconhecimento e o caminho de volta ao Ser.

Sou terapeuta, facilitador em desenvolvimento humano, professor de meditação, músico e fundador do Espaço Integração, na Granja Viana.

Há mais de 26 anos atuo como terapeuta com pós-graduação em Psicologia Positiva e várias formações em desenvolvimento humano e inteligência emocional, acompanhando pessoas, casais e famílias em processos de transformação e despertar parta uma consciência mais evoluída.

Atualmente, estou terminando uma formação em Psicanálise e uma pós-graduação em Neurociência e Neuroplasticidade em Virtologia, ampliando minhas possibilidades de abordagem com embasamentos ainda mais modernos e transformadores.

Semanalmente compartilho aqui ensaios, insights terapêuticos e reflexões sobre a jornada do viver através de percepções, sentimentos, hábitos, relacionamentos, autoconhecimento, psicanálise, filosofia e afins.

A “Despertar” é um convite para você desacelerar, questionar e se reconectar com aquilo que realmente importa em sua vida!

Será uma enorme alegria que você possa desfrutar desses materiais através desta iniciativa.

Se este conteúdo fez sentido para você e quiser aprofundar essa conversa, estou também disponível aos atendimentos individuais de uma forma presencial ou on-line.

Um grande abraço,

Maurício Bastos

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