“A ignorância só se sustenta para quem realmente quer se manter ignorante e cujo resultado, gera o sofrimento humano por falta de conhecimento de quem somos.”
À medida que vamos nos conhecendo, podemos explorar um espaço de potencialidades puras que nos habitam: talentos, virtudes, criatividades, dons e quereres. E, desta forma, podemos aproveitar e desfrutar o ‘presente’ de uma vida abundante com autoria e liberdade.
Nosso desenvolvimento e evolução de consciência, desde a infância até o jovem adulto, é muito pautado pelos valores, crenças e princípios a partir dos outros, sejam eles, nossos pais, família, escola, instituições, religiões e a sociedade como um todo. E assim, existe uma tendência fantasiosa, projetiva e identificada em viver respondendo às expectativas alheias agindo de uma forma incoerente e nos esquecendo de nós mesmos.
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Vamos nos moldando e nos tornando cada vez mais parecidos com uma ‘caricatura’ daquilo que nos disseram que seria o ideal. Este comportamento é, em certa medida, natural, pois somos seres adaptáveis que buscam satisfação, conforto, segurança e compensações. Mas chega uma hora que essa máscara já não nos cabe mais…
E aí, como mudar esse modelo?
Na verdade, o que todos nós queremos é ser aceitos, pertencentes, amados, sendo conscientes ou não dessa busca. Em geral, ocultamos essa camada vulnerável que almeja os afetos, nos convencendo de que temos outros tipos de necessidades maiores, quando na verdade, amor, liberdade e segurança são nossas bases.
Porém, é aí que as coisas começam a ficar complicadas, já que podemos passar a vida toda apenas vivendo “personas”, correspondendo às expectativas dos outros, negligenciando aquilo que nos é particular, as nossas verdades essenciais.
Em uma sociedade que marginaliza o ‘diferente’, é extremamente difícil valorizarmos a diferença que mora em nós. No entanto, é ela que nos torna únicos, especiais e pela qual viemos dar vazão ao nosso propósito de vida.
Resgatar a “essência” que nos habita, priorizando nossa individualidade e desenvolvendo um “eu” mais coerente e verdadeiro, certamente trará mais sentido às nossas ações diárias e, por consequência, uma maior conexão com esta existência. Para descobrir qual é esta diferença que mora em nós, precisamos de muitas práticas de auto-observação e autoconexão, ampliando assim o autoconhecimento.

“A partir do momento que você toma consciência de si mesma (o), se coloca em frente de si e da vida, sendo sua própria prioridade no dia a dia. A realidade torna-se outra e não há mais como retroceder e involuir.”
Havemos de nos preparar para muitas máscaras caírem, havemos de estar prontos para deixar ir o que vai precisar ir e se abrir realmente para o “novo”. Afinal, só conseguimos entrar em contato com o desconhecido ao deixarmos o “velho” ir, e desenvolver a prática do desapego.
Olhar para nossos sentimentos, entender nossas vontades, conversar com nossos sonhos.
O que você imagina quando está sozinho(a)?
O que passa pela sua cabeça quando você está despreocupado(a)?
O que te preocupa?
O que te chama atenção quando passa na rua?
Que músicas tocam seu coração?
O que faz seu corpo tremer?
É importante se questionar, estar em diálogo e comunicação não violenta consigo para se descobrir. Só assim é possível realizar sua missão, seu propósito vivendo em plenitude e com paz.
É preciso estar pronto para enxergar e reconhecer sua beleza, perceber a sua potência e lembrar que você é perfeito em sua imperfeição. Tudo o que existe dentro de você precisa ter espaço para ser visto e, só encarando a realidade é possível dar outro tom a vida, tornar-se consciente e escolher o seu real caminho.
“A vida é uma jornada infinita, pois o seu ser é infinito e quanto mais você se entrega e confia, mais criativa (o), potente e inteira(o) você se torna.”
É preciso dar espaço para o nosso interior se expressar, pois sem isso, criamos doenças e sofrimentos. É fundamental, então, a prática da expressão que é o oposto da depressão.
O autoconhecimento se torna importante cada dia mais, pois a quantidade de informação, opiniões e possibilidades de jornada que temos acesso hoje em dia é infinita, então para que possamos escolher o caminho verdadeiro, é preciso saber o que realmente estamos buscando. É preciso olhar profundamente para dentro!
O mergulho na Natureza do Ser, nas profundezas de Si, é um grande caminho de reconexão com alguns sentimentos essenciais que fomos esquecendo, à medida que nos tornamos adultos: a alegria, a paz e o amor.

Como estamos tão atentos ao que acontece na ‘vida externa’ e ao futuro que ainda não existe, em busca de uma ansiosa realização pelo ‘Ter’ ao invés do ‘Ser’, vamos perdendo a intimidade e o contato essencial autorreferente. Por consequência, acabamos esquecendo de quem somos e qual o sentido de vivermos.
A história está repleta de pesquisadores e filósofos, entendedores da raça humana. Na Grécia antiga, por exemplo, com sua escola de saberes e filosofias, recebemos uma das frases mais conhecidas sobre esta temática, escrita no ‘Oráculo de Delfos’: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo”, já fazendo a ponte entre a realidade ‘interna’ e a realidade ‘externa’.
Também no Oriente, sempre existiu a busca por uma conexão maior e o propósito de estarmos aqui, já datada há mais de 5 mil anos. Um universo de filosofias, práticas, medicinas, xamanismo, religiões e culturas foram desenvolvidas com o intuito de compreender a existência e ampliar o desenvolvimento pessoal, saúde e bem-estar.
A magia, a alquimia, a espiritualidade, os grupos esotéricos, a astrologia, as artes, a medicina chinesa, a medicina ayurvédica, a meditação e o yoga são alguns dos mapas de acesso ao autoconhecimento e desenvolvimento humano.

Existe uma relação íntima entre o conhecer a si mesmo e a possibilidade de escolhas saudáveis e criativas, nos tornando seres autorais e responsáveis.
A palavra ‘responsabilidade’, desmembrada (responsa-habilidade), significa habilidade em responder, o que simboliza trazer autoria com clareza e propósito nas escolhas e posturas da vida.
“A paz e o amor só são possíveis quando estamos fluindo em nossa existência e só podemos fluir dentro do caminho que realmente é verdadeiro e nosso.”
A aventura de autoconhecer-se nos possibilita ampliar a percepção da vida, trazendo uma melhor qualidade às nossas escolhas e relações, e permite a expansâo da consciência em oferecer respostas criativas e hábeis na arte de viver.
No decorrer da auto investigação, aparecem algumas questões fundamentais e prioritárias para o caminho:
- Onde estou?
- O que sinto?
- O que quero?
- Quem sou eu?
Revisitar nossa história pessoal e a nossa ancestralidade também são excelentes caminhos para o descobrimento do que herdamos (crenças, hábitos, valores, condicionamentos, vícios) e, assim, fazer a importante distinção do que fomos e o que somos agora!
Nesta Era de consumismo imediatista, vivemos uma grande possibilidade de integração terapêutica com várias ferramentas de acesso ao corpo, mente, emoções e espiritualidade, mas que demandam prática constante para que o processo tenha resultados no decorrer da existência. Os caminhos são inúmeros: a psicoterapia com suas várias abordagens, a psicanálise as terapias corporais, as terapias quânticas, o yoga, a meditação, a arteterapia e tantas outras ferramentas.
Hoje em dia, o fácil acesso à informação através da internet, sem dúvida, é um fator fundamental de expansão da consciência, mais acessível, ampla e universal. Todo tipo de pesquisa, informação e estudo, inclusive em nível de graduação, pós-graduação e mestrado, pode ser realizado através da internet e do ensino à distância.
Também são oferecidos vários tipos de workshops, encontros e retiros que permitem uma intensidade de vivências em grupo que oferecem conexão, espelhamentos e ampliação da consciência do relacionamento como um caminho para uma vida mais plena, nos ajudando a ‘relembrar’ quem somos do Eu ideal ao Eu real.
Bora se conhecer mais e mais?
Persevere em seu autoconhecimento!
“Perseverar é aprender
Aprender é praticar
Praticar é repetir
Repetir é ganhar experiência
Experiência é crise
Crise é prova
Prova é fortalecimento
Fortalecimento é liberdade
Liberdade é criar do nada
Criar do nada é transformar
Transformar é caminho e fim ao mesmo tempo.”
Rudolf Steiner
Escrevo sobre consciência, autoconhecimento e o caminho de volta ao Ser.
Sou terapeuta, facilitador em desenvolvimento humano, professor de meditação, músico e fundador do Espaço Integração, na Granja Viana.
Há mais de 26 anos atuo como terapeuta com pós-graduação em Psicologia Positiva e várias formações em desenvolvimento humano e inteligência emocional, acompanhando pessoas, casais e famílias em processos de transformação e despertar parta uma consciência mais evoluída.
Atualmente, estou terminando uma formação em Psicanálise e uma pós-graduação em Neurociência e Neuroplasticidade em Virtologia, ampliando minhas possibilidades de abordagem com embasamentos ainda mais modernos e transformadores.
Semanalmente compartilho aqui ensaios, insights terapêuticos e reflexões sobre a jornada do viver através de percepções, sentimentos, hábitos, relacionamentos, autoconhecimento, psicanálise, filosofia e afins.
A “Despertar” é um convite para você desacelerar, questionar e se reconectar com aquilo que realmente importa em sua vida!
Será uma enorme alegria que você possa desfrutar desses materiais através desta iniciativa.
Se este conteúdo fez sentido para você e quiser aprofundar essa conversa, atendo presencialmente e online.
Um grande abraço,
Maurício Bastos