“Não corras, não fujas, não tenhas pressa, onde tens que ir é a ti mesmo…”
Juan Jamon Jiménez
Nestes meus mais de 25 anos praticando, vivenciando e dando aulas e retiros de meditação e respiração consciente, eu percebo claramente que hoje em dia a prática meditativa é fundamental para a saúde humana. Ela começa na saúde mental e se desloca para a emocional e física também, e por consequência, para a qualidade de nossas relações humanas.
O sofrimento humano
A maioria das filosofias orientais citam a mente humana como a grande causadora do sofrimento humano. Uma mente ignorante, automatizada, consumista, reativa, compulsiva, ligada à apegos e aversões o tempo todo e ignorando esta existência extraordinária e cheia de possibilidades.
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O indivíduo que vive através de uma mente ordinária (tronco cerebral e sistema límbico) age de uma forma primitiva voltada ao orgulho e egoísmo, somente focado no imediatismo. Busca por prazer e poder, sem dar atenção ao outro e querendo sempre controlar as situações da vida à volta. Este individuo tende a desenvolver, inexoravelmente, muitos anseios, expectativas e, por consequência, demasiada frustração, irritabilidade, destruição e, assim, sofrimento.
A questão da insanidade mental está no seu ápice e só retrata a loucura que a humanidade está vivendo neste momento presente, enquanto sociedade/coletividade e enquanto indivíduo/intimidade.

O homem moderno, em sua ânsia de conquistas para “chegar lá”, na luta continua contra o relógio e com o tempo cada vez mais corrido, perdeu o contato com “o aqui e agora” que é a sua própria natureza e a relação com aquilo que é essencial.
Assim, as consequências deste desequilíbrio em todos os âmbitos (físico, mental, emocional e espiritual), chegam de uma forma cada vez mais rápida e intensa, através de doenças, crises, separações, abandonos, suicídios, violência e afins…
A sociedade nesta era moderna, onde o poder se detém na maioria dos países industrializados e capitalistas, tende a deixar o Ser Humano cada vez mais condicionada ao piloto automático. A maioria das pessoas não sabe o que querem de suas vidas, de onde vem (sua história e biografia) e nem para onde vão (futuro ilusório), seguindo somente um modelo robótico e condicionado de vida no sistema – Matrix.
Uma ampla gama de ideais, de promessas de felicidades extraordinárias, de prazeres infinitos, êxtases, amores loucos, curas milagrosas e consumismo desenfreado são sinais de que algo muito estranho e doentio está acontecendo em nossa humanidade.
A grande motivação da maioria das pessoas é a conquista material e seu consequente anseio de poder e prazer, querendo realizações rápidas e imediatistas, buscando sempre a permanência, segurança e certezas. Um mundo de ilusões permeia nossa realidade com chamativos, atrações e tentações para todos os lados que olhamos.
Surge, desta forma, um pedido de “socorro” por esta correria desenfreada e sem limites. É exatamente neste lugar que a ferramenta da meditação aparece. Uma prática desenvolvida há mais de 5 mil anos em templos, ashrams, espaços místicos e religiosos como instrumento de aquietamento mental/emocional e conexão espiritual.
“Entre o certo e o errado existe um espaço, e é lá que eu vou te encontrar.”
Rumi
A meditação atua hoje como um grande instumento na vida moderna com o intuito de desaceleração, foco, relacionamento saudável e produtividade em espaços diferenciados, desde a relação familiar e afetiva como também em corporações, clubes, empresas e na sociedade em geral.
A ferramenta didática atual do “Mindfulness” e o processo de desacelerar a mente e o corpo (antiestresse), já se ampliou para para práticas como o mindfull eating, mindful talking, mindful walking e mindfull thinking.
A função básica da meditação essencialmente é o desenvolvimento da intimidade consigo (autoconhecimento), através do aquietamento mental e do despertar do observador interno. A partir disso, acontece o processo de desautomatização e descondicionamento de hábitos, crenças, posturas e ações.
À medida que o individuo vai conquistando o silêncio interno e a auto-observação, ocorre a possibilidade de aberturas para caminhos mais saudáveis de potenciais latentes e propósitos essenciais de nossas vidas.
Existem catalogados mais de 108 práticas meditativas e todas têm um ponto em comum: o despertar do “observador”. Observar a realidade como ela está, de momento a momento, sem julgamentos, expectativas, controle.
A meditação com a atenção na ação tem conquistado cada vez mais praticantes no Ocidente e, a partir disso, a possibilidade de chegar a um estado de “não-fazer” e apenas “Ser” – o observar.

A prática inicialmente consiste em trazer a atenção detalhada para algum ponto específico, seja a respiração, o olhar focado, o canto de mantras, a postura, a caminhada zen, a dança, a corrida, a mastigação e /ou alguma atividade corriqueira: acordar, tomar banho, comer, andar.
O mais importante é trazer a meditação para o dia a dia. Estar presente a cada ato sem julgar, querer/desejar, mas sem criar expectativas e se relacionar com a vida sem apegos ou aversões.
“Quando fazemos um investimento pessoal em nossos pensamentos, criamos o “eu”, então nossa vida começa a não funcionar.”
Krishnamurti
Comecemos distinguindo o conceito e a prática da meditação:
O que não é a prática meditativa?
- A meditação não é uma meta a ser conquistada e alcançada.
- Não é um processo de transformação e cura.
- Não é atingir um estado de graça.
- Não é ter ou cultivar poderes especiais.
- Não é ter sentimentos agradáveis ou felizes.
- Não é projeção, visualização ou concentração.
- Não é parar a mente e não pensar.
- Não é virar zen e ficar sem stress.
- Não é ser espiritual ou iluminado.
O que é a prática da meditação?
- A meditação não está relacionada com algum estado e, sim, com seu praticante.
- É acompanhar a realidade como ela está.
- É observar pensamentos, sensações e sentimentos, sem se identificar.
- É aceitação, atenção, não julgamento e não expectativas.
- É estar inteiro com consciência ao momento presente.
- Tudo aquilo que você quiser obter com a meditação, vem como consequência de sua prática e disciplina diária.
- É trazer consciência às ações, ou seja, tudo que você estiver fazendo com consciência é meditação (seja comer, beber, falar, ouvir etc.).
Em nossa natureza essencial habita a calma, a amorosidade, o silêncio interior, a serenidade. A meditação já existe em nós. E, desta forma, despertamos a consciência de que só podemos ser plenos e felizes neste exato momento: o presente.

A pausa no silêncio
Quando pausamos a nossa correria ou, pelo menos, vamos num ritmo mais lento, temos uma excelente oportunidade de observar a nós mesmos e à nossa volta. Temos uma possibilidade bem mais ampla de perceber como estamos, como nos sentimos, como pensamos, o que queremos realmente, e também como nos relacionamos com os outros, o ambiente e o planeta.
Durante a prática do silêncio, temos a possibilidade de melhorar a escuta interna e externa, onde se desenvolve a compreensão até que ela se transforma em compaixão. Ao pararmos de julgar (certo/errado, bom/mal, melhor/pior), caminhamos para a harmonia e o equilíbrio, criando a consciência de que cada um tem verdades e percepções diferenciadas.
“O julgamento é o fracasso da escuta e da compreensão…”
Roberto Crema
Se pararmos de criar expectativas, evitamos frustrações e desânimos e deixamos de alimentar pensamentos e hábitos condicionados, por consequência, a leveza, paz, alegria e amor são caminhos inevitáveis. O mais importante é trazer a meditação para o dia a dia.
Posturas meditativas de momento a momento:
- Estar presente a cada ato.
- Quanto maior a atenção relaxada, melhor a consciência em viver.
- Praticar observar sem julgar.
- Praticar a aceitação do que está acontecendo no “agora”.
- Trazer um estado de percepção ampliada ao momento presente.
- Ações lentas e com práticas de uma atividade por vez.
Perguntaram ao Buda: “O que você ganhou com a meditação?”
Ele respondeu: “nada. Mas, deixe-me dizer o que perdi: ansiedade, raiva, depressão, insegurança, medo da velhice e da morte”.
Dicas de meditação para a prática diária
- Encontre tempo para a maior aventura do Viver: a Meditação.
- Ponha uma intenção para apenas “Ser”, abandone o “Fazer”.
- Faça a conexão com o aqui e agora.
- Apenas seja uma testemunha relaxada.
- Esteja aberto (a) a aceitação do que vier.
- Não crie expectativas.
- Pratique o não- julgamento.
- Acompanhe e observe o mundo interno e depois o externo.
O que importa não é o tempo de meditação, a hora do dia ou a quantidade, mas a qualidade da prática. Esteja consciente do momento presente.
Eternizar o presente, presentear o eterno…

Benefícios
Os resultados vindos de uma prática constante são inúmeros. Entre eles:
- Desenvolvimento de relacionamentos saudáveis e amorosos.
- Ampliação do autoconhecimento.
- Aumenta a produtividade, concentração e memória.
- Melhora o sistema imunológico.
- Melhora qualidade do sono.
- Atenua depressão e ansiedade.
- Ajuda a superar traumas.
- Desperta a mente consciente.
- Traz motivação.
- Melhora a autoestima.
- Liberta crenças limitantes.
- Ajuda a relaxar.
- Dissolve a raiva e a transforma em compaixão.
- Ameniza o stress.
- Evolui a compreensão e clareza mental.
- Promove o bem-estar e a paz interior.
Além disso, a meditação é uma excelente ferramenta para desenvolver a autoconsciência e o autoconhecimento. Por meio da prática meditativa, é possível observar os pensamentos e emoções de forma mais objetiva e sem julgamentos, o que pode ajudar a lidar com eles de forma muito mais saudável.
Ao meditar constantemente, criamos um espaço de observação, sem julgamentos ou expectativas. Abrimos mão do controle e nos desenvolvemos em 3 saberes:
- A sabedoria da insegurança
- A sabedoria da impermanência
- A sabedoria da incerteza
Ao meditar, vamos além do relativo, do certo ou errado, do bom e do mal…
A meditação significa “ação ou caminho do meio”. Se assim a fizer, gradativamente, vai acabar dissolvendo as resistências e caminhar para a aceitação do que está acontecendo. Consequentemente, a aceitação de quem somos na essência.
Quando meditamos, esquecemos nossa individualidade, desenvolvemos o “observador desapegado”, aprendendo a desidentificar a mente: você não é o que pensa, sente e faz.
Para saber quem você é, comece a libertar-se de quem você não é!
A mente, mente!
Saiba que as crenças, condicionamentos, comportamentos e vícios que você vem trazendo da sua história de vida geram uma falsa noção de quem você é. Por isso, é preciso praticar este desprendimento, libertar-se dessas crenças, emoções e ações limitantes.
“Quando você começa a meditar, começa a ver os milagres.
Depois de um tempo, você percebe que está criando os milagres.
Por fim, você entende que a vida é um milagre!”
Deepak Chopra
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Escrevo sobre consciência, autoconhecimento e o caminho de volta ao Ser.
Sou terapeuta, facilitador em desenvolvimento humano, professor de meditação, músico e fundador do Espaço Integração, na Granja Viana.
Há mais de 26 anos atuo como terapeuta com pós-graduação em Psicologia Positiva e várias formações em desenvolvimento humano e inteligência emocional, acompanhando pessoas, casais e famílias em processos de transformação e despertar parta uma consciência mais evoluída.
Atualmente, estou terminando uma formação em Psicanálise e uma pós-graduação em Neurociência e Neuroplasticidade em Virtologia, ampliando minhas possibilidades de abordagem com embasamentos ainda mais modernos e transformadores.
Semanalmente compartilho aqui ensaios, insights terapêuticos e reflexões sobre a jornada do viver através de percepções, sentimentos, hábitos, relacionamentos, autoconhecimento, psicanálise, filosofia e afins.
A “Despertar” é um convite para você desacelerar, questionar e se reconectar com aquilo que realmente importa em sua vida!
Será uma enorme alegria que você possa desfrutar desses materiais através desta iniciativa.
Se este conteúdo fez sentido para você e quiser aprofundar essa conversa, atendo presencialmente e online.
Um grande abraço,
Maurício Bastos