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Do tédio ao ódio, em tempos de pandemiaComo podemos lidar melhor com as emoções que afloram na quarentena?

A pandemia do Coronavírus (Covid-19) nos faz perceber a todo momento que se quisermos ter qualidade de vida, ou seja, sustentar o bem-estar mental e emocional e manter a saúde física, precisamos fazer escolhas assertivas em nosso dia a dia e desenvolver a qualidade de atenção amorosa conosco e com nossas relações primordiais.

É fundamental manter a auto-observação, perceber pensamentos, emoções e atitudes que estamos praticando na rotina. As ações tóxicas que costumam ser recorrentes, vão minando a nossa energia e deixando a vida cada vez mais desconfortável e densa.

Pensando em cultivar o bem-estar e o autoconhecimento e escapar dessas situações nocivas, podemos apontar alguns “gatilhos” que resumem os principais hábitos e sentimentos negativos durante a crise e desenvolver a sabedoria em lidar com o caminho recorrente do tédio ao ódio.

Fundamental relembrar o conceito da palavra emoção quando desmembrada

E(energia) + moção (movimento) = Energia em movimento (emoção)

Portanto, Emoção é a energia em movimento!

Se o movimento não acontece, a energia fica estagnada e assim surge o tédio.

Mas o que é tédio?

Podemos dizer que o tédio é um tipo de angústia ou um vazio inquietante.

A sensação de tédio, muitas vezes, é uma resistência e até mesmo dificuldade em aprofundar as emoções e sentimentos. Uma não-permissão para sentir “desconfortos” ou “vontades essenciais”. Uma dificuldade em usar a criatividade na vida, em fazer mudanças e ir para o “novo” e se permitir o desconhecido.

Normalmente quando pensamos em angústia, se pensa em ansiedade, insegurança, tristeza ou medo. Assim como a angústia é uma experiência no tempo, o tédio também é uma experiência no tempo. Só que muito indeterminada.

A angústia muitas vezes, é decorrente do tédio. O termo tem sido usado para denominar um misto de sensações provocadas pelo avanço da covid-19. Com essa pandemia, percebemos que nossas expectativas foram suspensas, nossos sonhos e projetos pausados, sem contar o sentimento de não aceitação dessa fase incontrolável e a impaciência constante diante do desconhecido, do incerto.

O sentimento de luto (perda), da ilusão de ter o controle, invade nossas emoções. Fora a sensação de esperar, sem saber o que nos espera, perdendo a continuidade de metas traçadas. Temos a tendência de negar a ruptura achando que tudo vai voltar a ser como era antes. E como não sabemos o que vai acontecer, de fato, e realmente não acolhemos este momento tão cheio de incertezas e inseguranças, a nossa mente resgata essa gama de sensações que não são acolhidas e assim voltamos novamente para o tédio (o não querer sentir) e para a sensação de vazio.

Mais detalhes sobre o sentimento de luto e vazio que muitas pessoas vêm passando na quarentena, e como tratar estas sensações, você acessa no artigo https://mauriciobastos.art.br/isolamento-social-pode-ser-comparado-ao-sentimento-de-luto/

Como lidar com o tédio?

Do tédio ao ódio, em tempos de pandemiaEntenda esse momento que estamos vivendo como uma oportunidade para organizar sua vida e sua rotina, se flexibilizar e usar a criatividade para novas experiências, ao invés de enxergar esta situação como uma fase monótona que gera o tédio. Lembre-se que talvez esta seja a única oportunidade para ter um “tempo com você mesmo (a)”, organizar suas ideias e colocar em prática alguns projetos que estavam engavetados. Sem dúvida, é um momento muito rico para nos autoconhecermos!

Momento oportuno para permitir a vulnerabilidade e deixar-se sentir e observar o que vem. Momento para ressignificar sua biografia, revisitar valores e metas.

 

 

 

As coisas só têm sentido quando são sentidas!

A partir do tédio, quando o enfrentamos e trazemos sentimentos profundos à tona, podem surgir um emaranhado de questões emocionais desafiadoras que ficaram registradas em nossas memórias, porém estavam arquivadas e protegidas. Dar o acolhimento e espaço necessário a elas é fundamental para o fluir da vida.

“Respirar o desconforto!

Sair do tédio é abrir espaços para contatar emoções profundas…”

Inteligência Emocional

Do tédio ao ódio, em tempos de pandemiaA tristeza é um estado afetivo que vem nos mostrar dores e desconfortos acompanhadas muitas vezes de desvalorização da existência e do real. É decorrente de situações inesperadas que saíram do controle e não eram desejadas desta forma. Importante acolher e soltar o que precisas…

A angústia vem revelar padrões de situações emocionais desconfortáveis que estão sufocadas e precisam se mover. Nos pede para sermos verdadeiros conosco.

A mágoa e ressentimento nos dizem sobre questões emocionais que não foram integradas e estão carregadas de culpas. A culpa pode ser uma desculpa também.

O medo é uma reação natural do corpo que faz parte do instinto de sobrevivência. Mas pode ser também uma reatividade da mente em criar situações fantasiosas e ilusórias (mente que mente). Observe se este medo realmente é real.

O stress é o ápice da reação do organismo diante de conflitos e que exigem um grande esforço emocional para ser superado. Vale a pena sustentar este stress?

A raiva é uma reação emocional a algo que te tira de seu propósito e de sua verdade. Normalmente acontece com situações em que não aceitamos conviver em nossas vidas.
É possível mudar a percepção?

O ódio é uma aversão intensa motivada pela raiva, repugnância e afins. Separa, distância e gera conflitos das mais variadas formas. Você se sente bem nutrindo este ódio?

O ódio é o novo normal?!

Estamos num momento de situações altamente críticas e desafiadoras em que a divisão de paradigmas está muito presente e o grau de desconforto só aumentando, com isso, as emoções estão cada vez mais à flor da pele. O ódio é um estado afetivo de revolta, de potência, de libertação de situações doloridas, mas que pode gerar muita violência e sofrimento.

Observe o ódio, mas não se identifique em demasia…

Lembre-se, as emoções são energias em movimento, elas precisam se mover…. elas vão passar… portanto, procure não se identificar demasiadamente com elas.

Ao invés de ficar tenso(a) ou com raiva pelos cantos da casa, reclamando ou xingando,
que tal usar toda essa energia contida de uma forma criativa?

Comece a praticar a arte da gentileza e da compaixão

A gentileza consigo e com o próximo, acontece com a prática da delicadeza e de um cuidado refinado, através de palavras, posturas e comportamentos saudáveis.

A compaixão pode ser desenvolvida com iniciativas de solidariedade. Como no caso das pessoas que se voluntariam para ir às compras ou à farmácia para ajudar os vizinhos mais idosos ou doentes (e não ter que sair e arriscar a ficar infetados com a Covid-19), e também aquelas que ajudam os “sem-teto” com atenção amorosa, alimentação e agasalhos.

Meditação e Autoconhecimento

A possibilidade de aprendizados constantes nesta fase é imensa. As flutuações de humor e emoções podem ser instrumentos valiosos de autoconhecimento e cura. Se pudermos ampliar a consciência e desenvolver a qualidade do observador através da meditação, será um instrumento real de transformações curadoras.

Acesse nosso artigo sobre a importância da reconexão interior através de ferramentas terapêuticas eficazes como a Meditação.

A Verdade

Este momento de pandemia tem sido um grande catalizador no universo das relações em todos os âmbitos. O véu de ilusões, projeções e fantasias estão caindo e as emoções vem sinalizar este movimento profundo de cura.

Ao mesmo tempo, a fuga da verdade e das emoções profundas através de válvulas de escape estão cada vez maiores. O uso do celular em demasia é como um fumante que não consegue largar o cigarro. O workaholismo é também outro objeto de fuga constante. As drogas em todos os níveis estão cada vez mais usadas, os jogos de diversão de todas as formas. A compulsão por filmes, novelas e séries sem parar, o dormir em excesso, etc.

Estamos num momento especial de “encarar as verdades” e a partir daí, começar as mudanças verdadeiras em nossas vidas. Demanda coragem, determinação e fé!

Amor e Paz

O estado da presença amorosa – que é um sentimento tão nobre em nossas vidas – é a chave para podermos transitar e mover as emoções sem se apegar em demasia a elas.

O estado da Paz, através da prática de “Paz-ciência”, também é uma ferramenta poderosa em poder acolher a impermanência das emoções e da relação com o tempo e com as pessoas, sem querer ser o dono da verdade ou ter sempre a razão.

Práticas para o dia a dia

Desenvolva a sua criatividade no dia a dia. Experimente por uma semana, estabelecer metas e horários fixos para dormir, acordar, trabalhar, alimentar-se, realizar tarefas domésticas, descansar, fazer exercícios físicos e outras atividades de lazer.

O corpo e a mente humana adaptam-se melhor aos desafios do dia a dia quando criamos um ritmo coeso e dormimos bem, mantemos uma alimentação saudável e praticamos atividades físicas e prazerosas. Observe suas emoções nesta semana, perceba o que mudou, desenvolva a inteligência emocional e permita-se conquistar o espaço da liberdade com responsabilidade.

“A rotina aliada à disciplina e à criatividade é a organização para a liberdade!”

A Hospedaria

“O Ser Humano é como ser uma hospedaria,
onde todas as manhãs há uma nova chegada.

Uma alegria, uma depressão, uma mesquinharia,
uma percepção momentânea chega,
como visitantes inesperados.

Acolha e distraia a todos!
Mesmo se for uma multidão de tristezas,
que varrem violentamente a sua casa
e a esvazia de toda a mobília,
mesmo assim, honre a todos os seus hóspedes.

Eles podem estar limpando você
para a chegada de um novo deleite.
O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,
receba-os sorrindo à porta, e convide-os a
entrar.

Seja grato a quem vier,
porque todos foram enviados
como guias do além.”

Jalaladim Maomé Rumi

Fonte:
https://www.huffpostbrasil.com/entry/tedio-isolamento-social_br_5e881b18c5b6e7d76c642504
https://saude.abril.com.br/blog/com-a-palavra/como-nao-ficar-insano-com-a-pandemia-do-coronavirus/
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