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A cultura do ScrollO falso prazer de rolar a tela sem parar

Nessa era dinâmica em que vivemos, onde tudo tende a ser descartável, virtual e, muitas vezes, superficial, ocorre a possibilidade de acesso instantâneo e cada vez mais fácil e rápido ao mundo das informações e relações em todos os níveis.  Com apenas um simples clique, você pode estar conectado com tudo e todos ao redor do mundo, instantaneamente, abrindo um campo infinito de possibilidades.  

Contemplar e experienciar esta gama de possibilidades, sem dúvida, pode ser muito benéfica, acelera muito o nosso poder de informação e conhecimento, permite a atualização das notícias do mundo todo e, principalmente, amplia a relação e a comunicação com diversas pessoas e de uma forma muito ágil e dinâmica. A prontidão e agilidade à informação que nos chega constantemente, transforma nossas mentes e, pode sim, nos ajudar a construir uma base de conhecimento e informações cada vez maior. 

Mas, como tudo na vida tem um lado bom e também ‘sombrio’, essas facilidades fizeram surgir dois problemas sistêmicos: o vício em redes sociais e a “cultura do scroll”. Esses costumes já viraram uma realidade muito presente na sociedade moderna e vêm provocando impactos impossíveis de ignorar.  

Um dos primeiros estudos a revelar a força dessa nova dependência, que é a “cultura do scroll”, foi apresentado pela Universidade de Chicago. Depois de acompanhar a rotina de checagem de atualizações em redes sociais de 205 pessoas por sete dias, os pesquisadores concluíram, para espanto geral, que resistir às tentações do mundo virtual – Instagram, Facebook, Twitter, etc – é muito mais difícil do que dizer não ao álcool e ao cigarro, por exemplo.  

Para quem ainda não viu, o filme “O dilema das redes” é uma sugestão imperdível. 

Perguntas pertinentes:

  • Você tem foco e determinação ao entrar na internet e redes sociais? 
  • Ao acordar, você já pega logo o celular? 
  • Quantas horas por dia gasta com a vida virtual? 
  • Você consegue ficar horas sem olhar o celular ou o computador? 
  • Você pratica pausas no seu dia a dia?  
  • Ou na hora da pausa você “escapa” e mergulha no celular? 
  • Quais são seus principais objetivos com a internet afins?

O vício do Scroll

A cultura do ScrollQuando estamos ‘rolando o mouse’ compulsivamente (scroll) ou ‘dedando o celular’ sem parar, ansiando por estímulos, tais atividades recorrentes podem nos causar muito stress cerebral. A chamada ‘síndrome da informação crônica’, resulta em deixar nosso pensamento cada vez mais acelerado, automatizado e dependente dessa quantidade enorme de dados que chega o tempo todo, sem parar, e que não conseguimos assimilar totalmente e, por consequência, posteriormente, temos a dificuldade de desacelerar e relaxar. 

Para completar esse quadro, vemos que as novas gerações estão se tornando muito dependentes deste comportamento alucinado de consumir conteúdo sem discernimento na internet e redes sociais. 

Isso não seria um problema, se realmente este movimento intenso tivesse proveito e se transformasse em conhecimento. Mas a grande verdade, é que muitas pessoas que navegam ou ‘vagam’ pelas redes sociais, clicando em links e mais links por muitas horas diárias, estão, de fato, buscando conteúdos muito superficiais e escapando da realidade e das situações à sua volta. Na maioria das vezes, não conseguem se lembrar do que consumiram nos últimos cinco dias. 

Deslizar o mouse ou o dedo e ver um turbilhão de informações circulando à nossa frente só vai gerar mais aceleração mental e, consequentemente, fazer o tempo passar mais rápido e alucinadamente, enquanto a vida poderia estar sendo mais bem aproveitada de outras formas, no “aqui e agora”. 

Entender as razões dessa compulsão em ascensão é um desafio.

O culto à Produtividade

A cultura do ScrollO uso da tecnologia e a possibilidade de ‘ganhar mais tempo com menos esforço’ faz parte de nossa era moderna e não pode desconsiderar o quão importante tem sido para a conquista de uma vida com mais qualidade e tempo hábil. 

Ao mesmo tempo, a agilidade da comunicação e informação também nos incita, a cada vez mais, estarmos conectados e plugados ‘on-line’ o tempo todo, com extrema atenção e sempre disponíveis com respostas ágeis para as demandas profissionais e sociais. 

A urgência dos feedbacks, de respostas rápidas, como também a ampliação de conhecimento dos fatos e notícias do dia a dia, nos demandam um ‘estado de alerta contínuo’, o que, sem dúvida, é gerador de muito stress, ansiedade, irritabilidade, insônia, etc. 

Quando turbilhões de conteúdos são agregados em nosso cérebro ao mesmo tempo, a demanda energética é intensa e, muito do que é recebido não se sustenta, pois muitas vezes, ocorre a ‘falta espaço interno no HD’, assim como num computador, e isso gera um desgaste mental/emocional enorme. 

Crianças, adolescentes, adultos estão cada vez mais viciados em celular!

É fato que com o isolamento social, devido à pandemia, aumentou muito o número de pessoas dedicadas à vida virtual e suas derivações. Seja o trabalho, o estudo, a pesquisa, a amizade, a família, o namoro, os cursos, entre outras atividades. Tudo, simplesmente tudo, tem passado pelo mundo virtual. Estamos hiper conectados e ágeis neste mundo tecnológico, cada vez mais experts em ferramentas profissionais, fotos, vídeos, apps, conexões, jogos, paqueras, etc. 

Ao mesmo tempo, as sequelas só aumentam. Um dos grupos mais afetados são as nossas crianças e adolescentes que ainda possuem mentes e corpos mais receptivos e disponíveis. Com isso, eles podem se viciar rapidamente em ‘estímulos e recompensas virtuais’, afetando demais o desenvolvimento emocional e cognitivo. Um verdadeiro perigo para estas gerações que tendem, cada vez mais, a ficarem mentalmente limitadas, ignorantes à vida real, desconectadas do corpo físico e da vida social e emocional. 

A prática do ‘detox virtual’ e a abstinência de conteúdo supérfluo

O termo ‘alimentação’ não está ligado somente ao alimento que consumimos, mas também, ao que nos nutrimos a nível intelectual, cognitivo e emocional. É fundamental a reavaliação da qualidade deste consumo de material virtual. Perceba se existe, nesta relação com a tecnologia, uma busca compulsiva, uma ansiedade recorrente, uma dependência, distração e afins. Caso essas situações aconteçam de forma frequente, temos uma tendência a sermos viciados nesta prática virtual. 

É fundamental observar se você utiliza a internet de uma forma viciante e compulsiva, se ela não te tira a atenção do momento presente e da relação com o que está acontecendo à sua volta. Observe se a compulsão por estímulo virtual não é em função de uma sensação de tédio, desconforto, ansiedade ou angústia. 

Perceba se a busca por ‘likes’ e ‘feedbacks’ não vem de uma sensação de vazio, ligada à carência, baixa autoestima, ansiedade crônica e medo da solidão. 

“O exercício do limite é o desenvolvimento na prática da conquista de autoestima.” 

Pausa para relaxar ou viver uma ‘second life

  • Você se dá pausas no dia a dia?  
  • Ou, na hora da pausa, você escapa para o celular? 
  • E, neste momento, o que você procura no virtual?

A “second life” está aí cada vez mais presente. Uma vida editada, montada para atrair seguidores, onde somos ‘influencers’ e queremos mais e mais reconhecimento, fama e sucesso. 

  • Mas para que serve tudo isso? 
  • Onde você quer chegar? 
  • E, quando você chegar neste lugar almejado, aí você irá viver a vida realmente?

Impermanência

Sim, está tudo mudando abruptamente e, de alguma forma, precisamos acompanhar esses ciclos. A cada semestre, novos celulares e laptops modernos são desenvolvidos e se tornam objetos de desejo e status. O que você comprou no ano passado já está defasado e não tem tanta importância. 

“A única coisa que permanece é a impermanência…” 

Não adianta simplesmente achar que essas transformações são ruins, afinal, “as coisas precisam mudar para que o melhor possa vir.” A questão aqui é achar um ponto de equilíbrio em suas atitudes.  

Já que tudo muda e a tecnologia é responsável por tantas novidades surgindo a todo momento, você realmente acha que precisa estar na mesma velocidade dela? Acha mesmo que é necessário e saudável acompanhar freneticamente esta ‘cultura do scroll’ que se traduz em ‘tudo ser transitório, descartável e muito rápido’? Pense nisso… 

Sugestões práticas

  • Algumas vezes ao dia, quando puder, dê um intervalo para sua mente, permita-se uma pausa, um descanso e pratique o ‘nadismo’ (não fazer nada).
  • Separe alguns momentos do seu dia para mudar a atividade, experimente práticas corporais: um exercício aeróbico, um esporte, a yoga, a meditação, a respiração consciente.  
  • Desenvolva atividades artísticas e criativas que ajudam a sua mente a sair dos padrões compulsivos: música, dança, pintura, escrita intuitiva, artes em geral.
  • Experimente desligar o celular várias vezes ao dia, principalmente em momentos sagrados como as refeições, encontros presenciais, atividades físicas e artísticas.
  • Deixe o celular sem tantos avisos sonoros e se desligue de grupos, páginas, atividades virtuais que não te acrescentem em sua evolução.
  • Ao terminar o dia, veja quantas horas você ficou no celular e procure diminuir a cada semana.

Permita que sua mente compreenda tudo que obteve de informação no dia a dia, de uma forma saudável e equilibrada. Que esta prática consciente do uso do scroll te ofereça muito conhecimento e prosperidade e que te possibilite também mais tempo para as relações humanas presenciais no “aqui e agora”. 

“ Lembra quando na internet ninguém sabia quem você era?”
Kaamran Hafeez 

Fontes:
https://www.profissionaisti.com.br/geracao-scroll-o-falso-prazer-de-rolar-o-feed-de-noticias/
https://www.linkedin.com/pulse/gera%C3%A7%C3%A3o-scroll-o-falso-prazer-de-rolar-feed-not%C3%ADcias-william-meller/?originalSubdomain=pt 
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